Desafio da Fic

Parte I

- Por que andas assim reflexiva, minha querida?

- Ah pai… não é nada, não. – responde a garota, em um tom nostálgico como um suspiro, apoiada no parapeito de uma janela, a contemplar.

- Não está feliz? – pergunta o pai gentilmente.

- Papai, o senhor não precisa se preocupar! – responde a garota um pouco mais desperta de sua nostalgia, por preocupação com o pai, e por não querer ferir seus sentimentos. – Eu seria uma completa ingrata se não estivesse feliz. Nossa querida terra está em paz novamente. O castelo está maravilhoso. O reino nos admira. Graças ao senhor, que é um ótimo governante…

- Minha filha, minha filha… – interrompe-lhe o pai – Não me superestime. Por favor, não me dê um crédito que não mereço… é minha obrigação como Rei o bom governar, como um representante da bondade das deusas nesta terra. Mas minha obrigação maior é me redimir de meus erros do passado, de meus acordos nefastos e impensados… por não ter dado ouvidos a você, minha filha. Julguei-a ingênua, enquanto não enxerguei que o verdadeiro ingênuo… era eu… e você estava muito a minha frente.

- Papai, não se culpe, por favor! – tentou interromper-lhe a filha, vendo que o pai desviara o olhar dela, cabisbaixo.

-  Que vergonha para um velho, se comportar como um inexperiente… mas que honra para você, querida filha – o pai aproxima-se, ainda cabisbaixo, e segura as mãos de sua filha – Que honra para você, que mesmo como criança, agiu como uma sábia. – consegue, com esforço, olhar para sua filha com olhos arrependidos e piedosos. – Por isso, minha filha, que nós governamos juntos agora! Você conquistou total liberdade para se informar e participar de todos os assuntos do reino.  E isso é uma gentileza e uma bênção para mim, filha, que fui um tolo. Por causa sua o povo confiou em mim novamente para governar, por causa de sua inteligência, ponderação e seus esforços nos tempos de crise. Você me salvou junto com todo o povo.

- Ah, Papai! –responde a filha, com olhos marejados, abraçando seu velho pai. – O senhor sempre foi um ótimo pai, não se culpe!

- Não filha. – o rei voltou a encarar os olhos grandes e azuis de sua filha, com seus olhos também azuis, mas agora quase apagados pelo tempo – Foi uma lição para mim. Eu era um arrogante. Achava-me superior a todos, pelo meu cargo de Rei, por ter as bênçãos das deusas. Não entendia que isso não me fazia superior em nada: mas sim me trazia responsabilidades. Não ouvia meu povo, os deixaria miseráveis se me fosse proveitoso. Ah! – o rei hesitou, precisou fechar os olhos e colocar o próprio punho no coração.

- Papai, não! – a filha tenta escorar seu pai, e pega rapidamente uma cadeira para que ele se sentasse – Essa conversa o está deixando triste, melhor pararmos…

Mesmo com esforço e agora levemente arcado, o Rei continuou de pé. Não desviou-se dos olhos da filha, e prosseguiu sua fala:

- … Não ouvi minha própria filha, por julgá-la apenas uma criança, e fui logo ouvir um rei de uma terra distante, apenas porque ele me pareceu credível e sensato. Fui fútil e me baseei apenas em aparências. A tragédia que aconteceu foi uma grande lição e ainda generosa, por eu não ter que pagar agora tudo o que merecia, todo sofrimento que causei. – O Rei novamente precisa se conter, e tosse, precisando enfim ceder a sentar-se na cadeira.

- Papai… o senhor está me dando muito crédito. Não sou assim tão boa… sozinha não conseguiria. – a princesa olha para baixo e suspira. –Não podemos esquecer de todos que ajudaram… e do… Pai!! – o rei surpreende-a com um acesso de tosse. Ele precisa recostar-se na cadeira ao máximo, segurando o coração. Segura a mão de sua filha.

- Minha filha. Precisava lhe fazer essas revelações. Não podia morrer antes disso.

- Morrer pai? Como assim, não!

- Filha. Sou tão mesquinho que nunca sequer lhe havia agradecido. Nunca sequer lhe havia honrado por tudo que fez.

- Mas o senhor me deixou governar com você!!!

- Isso não foi suficiente, querida. Nunca lhe expressei em palavras minha gratidão. Nunca a reverenciei em palavras…  achava que apenas demonstrar essa minha honra, tendo sua presença comigo, confiando-lhe minha vida, seria o suficiente. Mas palavras são necessárias… precisei estar a beira da morte para entender. Sem palavras, como você ficaria sabendo de minha gratidão? Você nem imaginava o quanto eu era grato, não é minha filha? Mas agora lhe faço ciente. – o Rei parece cada vez mais pálido e arfante. – Mas filha, me perdoe por isso, por não ter lhe dito antes, sim? Os homens são assim. Achamos que somos poderosos e valentes, mas se o fôssemos de verdade, não evitaríamos as palavras fraternas do modo que fazemos. Achamos que somos conquistadores e diretos, mas isso nos faz insensíveis com as palavras…

A princesa não conseguiu conter as lágrimas:

- Um médico, preciso chamar um médico! Guardas, chamem o médico do reino!

- Princesa, a senhora chamou? – Veio a porta do aposento em que estavam a primeira ministra, assustada.

- Malon, chame o médico do reino, depressa!

- Filha… – chama-lhe o rei fracamente… – fique ao meu lado. Preciso contar-lhe mais coisas, o mais importante ainda não disse. Você já tem 18 anos… é uma ótima pessoa… Você… amanhã… será coroada Rainha. Zelda… Zelda, rainha de Hyrule… Malon, você é testemunha… do que digo… – e o Rei desfaleceu.

- Malon, você já está aqui de novo ou nem saiu ainda? – pergunta Zelda desesperadamente.

- Claro que já princesa! Avisei o soldado de confiança que me acompanhava passando pelo corredor. Mas ouvi seu pai me chamar e não pude evitá-lo.

- Sim… desculpe, Malon… o meu pai, ele, ele…!!!

- Acalme-se princesa, ele parece respirar! Fracamente, mas respira! – a princesa rapidamente tira um espelhinho do bolso do vestido, coloca sob as narinas do pai e vê que o reflexo embaça levemente. Após um período, soldados e enfermeiros transportam o Rei do aposento por uma maca. A princesa detêm-se um pouco no local, que agora encontra-se vazio.

- Papai me disse… os homens são assim. Sim! Conheço um com esse jeito de ser, exatamente esse… Que deixou este reino e nunca mais me deu notícias… Oh, cavaleiro… sem você não conseguiria… sozinha, eu não conseguiria… é injusto eu receber todo seu crédito. Mas… por onde você anda? Onde está? – indaga a princesa ao entardecer, rosa e laranja, que contempla por sua janela. Sua pergunta perde-se no horizonte do sol poente.

A notícia da coroação de Zelda espalha-se aos quatro cantos do reino, como poeira ao vento. Criados, pajens, cortesãos do castelo interrogam a princesa onde quer que ela vá, pedindo instruções sobre a cerimônia:

- Como será seu vestido sua majestade?

- Como será sua coroa?

- Qual a cor do tapete pelo qual irá caminhar?

- Princesa, os preparativos terão que ser urgentes! Precisaremos retirar gastos dos excedentes de exportação para prepará-la fazendo jus a sua Majestade!

- De jeito nenhum! Estoques são sempre necessários! Economize na cerimônia, que não dará nenhum retorno financeiro… mas por favor, faça tudo o mais simples possível…  – essa última frase foi a resposta da princesa para todas as perguntas. O que apenas desejava era um pouco de tranqüilidade. Começou a caminhar depressa em direção aos seus aposentos reais.

- Princesa, será uma cerimônia pública ou restrita?

- Pública, é claro, o povo precisa conhecer seu líder… – apressava o passo para desviar das perguntas.

- Princesa, o local será na catedral ou no pátio público?

- Princesa, não há fundos para as cortinas da cerimônia!

- Qual o comprimento de seu manto, sua majestade?

- Público! Corte! O mais simples possível! – Blam! A princesa fecha a porta de seu quarto, onde não há ninguém.

A princesa sentia-se cansada, como se não houvesse tempo nem para seus próprios pensamentos. Tempo… Tudo estava acontecendo de uma vez, a coroação, o estado de saúde de seu pai, que a deixara muito triste e preocupada, e a ausência… de uma pessoa especial. Como não conseguira esquecê-lo daquela maneira? Será que tudo que passaram havia sido um sonho? Como conseguiria tornar-se rainha com todas essas preocupações? A princesa sentia-se prestes a explodir. Quando não conseguia mais conter as lágrimas, lembrou-se de uma pequena coisa… mas que tinha um grande poder. Essa pequena coisa fazia com que lembrasse dele. Ele a havia carregado por toda sua jornada, como um presente da princesa. Mas no final, achou melhor devolver o presente, como um símbolo de que todo sofrimento havia enfim, terminado.

Zelda dirigiu-se a um canto secreto de seu quarto, dentro do armário. Retirou um baú de veludo azul, com a tríade das deusas bordada nele, em prata. E desta caixa, retirou a ocarina real, azul, que presenteara seu querido Link. Naquele passado tempo…  A princesa sentou-se, respirou fundo, e tocou.

O som parecia vivo, com uma tranqüilidade e nostalgia contagiantes, em seu corpo, sua alma, e em toda atmosfera ao redor. Um minuto de tranqüilidade e esquecimento, até tocar a nota final. Até que Zelda percebeu que havia algo encaixado no lacre real da ocarina. Algo dobrado, no pequeno vão entre o lacre e o bico de sopro. Era um pequeno papel dobrado. Retirou, desdobrou, e viu que era um bilhete de Link!

- Poxa, então ele sabe escrever! – foi a reação da princesa apesar da emoção. Avidamente, começou a ler o bilhete:

“Cara Zelda,

Se você duvidou que eu sabia escrever, agora pode se arrepender. Ha-ha-ha”

*Zelda: ¬¬

“Lembro-me de que você dizia que eu primeiro me atirava no lago para depois pensar. Por isso você me chamava de cabeça de dodongo. Na verdade, ainda sou um pouco assim. Mas pelo menos a Navi me ajuda.”

*Zelda: AAAAH! Quem é Navi???????

“Ah, é, não lembro se lhe disse o nome, Navi é aquela fadinha que me acompanha.”

*Zelda: Ah O.O *corando*

“Bons tempos em que convivemos juntos! Era divertido. Eu lembro bastante. E é bom lembrar. Quer dizer, essa aventura também é boa. Conheci muitos lugares, pessoas, garotas muito legais que me apoiaram.”

*Zelda: ¬¬³³³³

“Bom, quero dizer só que… eu lembro você e… isso me faz ir em frente. É isso.”

*Zelda: … Sabe escrever uma ova… realmente, é ruim com as palavras. – Mas havia mais na parte de trás:

“Ah, Zelda. Desculpe eu ser ruim com as palavras. É que só tenho esse papel, tudo que eu errar vai continuar do jeito que está. Eu acabei de derrotar o invasor do templo de Gerudo. Sinto que estou muito perto do fim. Quem sabe, nos encontremos em breve… para dizer a verdade, essa é a primeira vez que eu parei pra pensar. Sinto que só corro. Às vezes nem durmo a noite para economizar tempo. Mas é porque lembro de você, então continuo sempre seguindo em frente. Por isso, não duvide nunca que você é forte, Zelda. Você tem sido um amuleto para mim. Espero de verdade que você esteja bem, e que você possa ler esse bilhete num futuro em que esse sofrimento seja só mera lembrança.”

Link

Ah! Então Link havia escrito este bilhete pouco antes de derrotar o Ganodorf, naquele passado sombrio! Foi um jeito de reunir fé para a batalha. Ele deve ter escrito o bilhete, guardado na ocarina, e prosseguido na jornada. Depois que o pior passou, ele me devolveu a Ocarina Real com o bilhete escondido! Será que ele se lembra disso? Que bom que suas expectativas nesse bilhete se realizaram… que bom que todo esse sofrimento passou, e posso ler esse bilhete quando tudo já está em paz…

Zelda aconchegou o bilhete junto ao coração.

Parte II

…continua

 

2 Comentários (+add yours?)

  1. onigirichan
    jan 23, 2012 @ 14:08:07

    Adorando a fiction! Quero ler a continuação logo heein! XD
    Amo demais fanfictions de Zelda! Pena que é dificil achar algumas legais de ler lá no ff.net ^_^. Mas a sua está muito legal! Como sempre!! XD~
    Bjos!!

    Responder

  2. starried
    jan 24, 2012 @ 11:44:38

    “Sabe escrever uma ova… realmente, é ruim com as palavras.”

    HAHA Zelda = awesome. Geralmente eu não gosto muito de emoticons em fanfics mas eu admito que ri com as reações da Zelda, ficou bem legal! Continuação, oba!

    Tsc tsc, faz tanto tempo esse desafio que nem me lembro o que eu escrevi! *checa rapidamente* putz, era uma fic de FMA! Não consigo reler ela, ugggh haha

    Mas gostei de nós três termos escrito sobre coisas diferentes, muy bueno! :D

    Responder

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